Ultimato

No dia 22 de Maio de 1995 sofri uma guinada de 360º em minha vida. Foi um impacto de grandes proporções e incalculáveis conseqüências.
Estava no terminal do Papicu em Fortaleza quando peguei o ônibus Papicu/Centro/Expresso. Destino este que não chegaria ao fim. O ônibus fez um desvio da rota e nas imediações da Av. Costa Barros passou numa oscilação na pista que me fez saltar do último lugar onde estava sozinha e desprotegida, para ir até o teto, bater a cabeça próximo ao trocador e vir ao chão de costas.
O fato acontecera. Era irremediável. Pronto. Era agora aguardar e saber o que acontecera. Senti uma onda fervilhando das minhas pernas aos meus pés. Achei que algo estava errado e pensei não mais andar desde aquele momento. Percebi não poder mexer-me e gritei.
Os outros passageiros, ouvindo os gritos vindos de trás, pediram ao motorista que parasse o ônibus. Vieram assim ao meu encontro, levaram-me até um assento, onde ficaram a segurar meu corpo.
Fui levada a um hospital próximo. Como não havia atendimento, fiquei aguardando translado, que demorou muito. Passei praticamente toda a tarde conversando com uma moça que fazia o papel de assistente social do hospital. Mas quem disse que queriam levar-me dali? Não se podia chamar a ambulância porque não se levava de hospital a hospital. Solicitei contato com a empresa na qual trabalhava para ver a possibilidade de quebrar a regra. Depois de muito tempo, chegaram. Fizeram uma imobilização da coluna. Partimos a outro hospital. Lá esperei mais um tempão para ser atendida. Diagnóstico: Fratura da Coluna Lombar na Vértebra L1.