Queria entender

Eu queria entender mais sobre a vida, sobre as coisas, sobre os relacionamentos, sobre mim mesma. Tantas coisas! Tanto o que pensar e a nenhuma conclusão chegar. Eu sinto tanto! Eu penso tanto! E também me pergunto, sem encontrar nenhuma resposta, nem em mim, nem na humanidade, que também se interroga das mesmas coisas que eu, desde sempre! Estou comigo todos os dias. Cuido deste corpo que vejo envelhecer a cada dia. Aliás, nem vejo, quando observo, já foi! Uma ruga aqui que eu nem vi quando surgiu. A pele ressequida. As marcas de expressão mais fortes presentes. Um dia eu olho, vejo e noto: Envelheci! Mas se digo envelheci e vivi, até que nem tão mal assim. Mas se olho no espelho todos os tracos do tempo e não me recordo deles? Se eles simplesmente passaram por mim sem que eu os sentisse? Vem um pesar! Um sentimento nostálgico do que não se viveu, do que não se teve, do que nem se sabe como poderia ter sido. Existe saudade maior do que das coisas que não tivemos, sentimos, vivemos? Se a saudade por si só já é grande dor, imagina aquela que vem antes dela, que na origem do pensar ser, não foi! Sinto saudade grande do amor que não tive. Daquela louca paixão que irradiava meu coração, que me fazia sentir viva, que me faltava o ar, que pulsava, que eclodia emoção. Meu Deus! Como me faz falta lembrar aquele beijo que não dei, aquela loucura de amor que não realizei, aquela transa maravilhosa que me fez enlouquecer, subir pelas paredes num orgasmo duplo. Não amei! Não beijei! Não transei! Não fiz nada! Não tenho nada que lembrar. Oh! Saudade grande! Saudade imensa! Saudade enorme! Saudade do que poderia ter feito e não fiz! “Devia ter amado mais” já diz a letra do Sérgio Britto na música Epitáfio que os Titãs cantam. É… Um presságio! “Devia ter amado mais…” E por aí vai… Devia ter… Quando a gente tá vivendo aquele momento do sim ou do não, lá naquela idade que não se sabe de nada, nem o que se quer, muito menos o que não quer, nem imaginamos, nem sonhamos, por um milímetro sequer, da dor que sentiremos se não for certa a resposta, de perdermos a quem amamos, que, naquele momento não sabemos, mas depois veremos, nunca esquecemos. Falamos não a alguém que nunca sairá da memória, venha quem vier, façamos o que for, não há quem o supere. Por que não foi sim nossa resposta. Por que não percebemos o toque do sentimento, da razão, do coração, sei lá quem dite o certo. Agora só esta saudade no peito sem jeito de passar. Queria lá voltar. Lá no passado, encontrar aquela menina boba, que nada da vida sabia, nem nunca vai saber, e dizer, “vai boba, diz sim, se não for assim, terás uma saudade sem fim, diz sim, por favor, faz esta bondade a mim, e a ti, vai por mim, sei o que estou dizendo”. E assim evitar, pelo menos a saudade seria do que se viveu, ou se nada tivesse dado certo, eu saberia. Mas não saber e ficar nessa. É horrível! Tanto tempo já passado, e o amor que sinto é tão presente. Tanto tempo desperdiçado, choro, lágrimas, pensamentos, suspiros, uma vida de saudade! Queria entender por que é assim. Queria saber mais da vida e acertar. Queria ter entendido e evitado tanto dor sentir hoje. Por que amar uma só vez? Não podia se esquecer o que não foi? O que passou? O que não deu? O que não realizou? Mas não! Tem que ficar aí morrendo. Tanta gente querendo! Tanta gente legal! Tanta gente que vale a pena! Mas corpo, mente e coração só quer aquele, não tem olhos para mais ninguém. Que coisa mais chata! Sinceramente, não quero sentir mais isto! Quero deixar esta saudade passar. Quero ter o que lembrar ao menos. Quero amar e ser amada! Quero desejar e ser desejada! E isto eu entendo, já não é mais possível!