O Passaro

Um dia eu vi um pássaro

em minha janela.

Ele pousou.

Pousou bonito.

Pousou rasteiro.

Pousou maneiro.

Pousou e olhou.

Olhou para mim.

Horas a fio olhou.

Depois voou.

No dia seguinte

Como que chamada

estava eu à janela

e ele pousou

pousou e olhou-me

horas a fio e voou.

Pássaro, pássaro

que fazes à minha janela,

todos os dias

a olhar-me?

Mas assim foi.

Todos os dias.

Eu e o pássaro.

Um dia estava na janela

e o pássaro pousou.

Pousou e voou

em minha direção.

Bicou meu coração,

levou um pedacinho dele.

Nunca mais voltou

com o pedacinho do meu coração.

Hoje meu coração chora

lamenta o pedaço

que se foi.

Pássaro, passarinho

Traz de volta o pedacinho

do coração

que levaste.

Ou então se não queres devolver

vem aqui fazer-me companhia

pois já não sei

e nem meu coração sabe

se a saudade é tua

ou do pedacinho do coração que levaste.

Que dor

 

Mas que dor é esta que sinto no peito?

Não há doença

Não há mal estar

Não há mal físico

Mas lá ela está.

 

Dói.

Eu sinto.

 

Será o médico que errou?

Não disse que doença tinha.

 

Dói.

Eu sinto.

 

Talvez o pássaro

comeu um pouco do meu coração

e sentindo a falta do pedaço

reclama com a dor.

 

Dói.

Eu sinto.