A Noiva da Colina

 

Uma bela moça

Estava no rio a passear

Veio um rapaz

E a pediu para desposar.

 

A moça logo aceitou

E na colina foi morar

Muito feliz estava

Por com o tal casar.

 

Labutando pela vida

A jovem moça estava

E lá na colina

Muitas outras a visitava.

 

Menina, me conta

Como casaste assim

Quero também

Um marido para mim.

 

A moça contava

Como tudo acontecera

Não fora nada demais

Somente um passeio no rio sucedera.

 

Pois as moças todas do lugar

Loucas para casar

Foram o mesmo fazer

E no rio estavam sempre a passear.

 

Foi assim que o passeio no rio

Era o ponto preferido das moças

Que vez por outra

Ora, vejam só,

Um rapaz para casar encontravam.

 

Não demorou também

Para os rapazes saberem

Que moça de todo tipo havia

Lá no rio disponíveis.

 

Logo, logo

Mais moças casavam

Deste passeio ao rio fazer

Pois os rapazes também iam lá

E faziam o casamento acontecer.

 

Não passou muito tempo

E mais moças

De outros lugares

A fama do rio conheceram.

 

E haja moças de várias origens

No rio passear

Para um bom casamento

Poder encontrar.

 

Rapazes de outros lugares também

Viajavam para o lugar

A fim de encontrar

Boa moça para casar.

 

E quem mais feliz com isto ficava

Era a família

Tanto da moça, quanto do rapaz

Por casar o filho ou a filha.

 

E como uma coisa puxa outra

Começaram as moças

Além de conselhos pedirem

Também agradecer à primeira

Que fora ali.

 

E assim enchia a casa

De moças solteiras e casadas

Daquela primeira moça

Que do rio se beneficiara.

 

O marido vendo aquilo tudo

Pois sossego não havia

Acabou por se mudar

Levando a esposa querida

Para outro lugar.

 

Mas o povo não se deixar rogar

E logo para celebrar

Uma estátua elegeram

Para a fantasia continuar.

 

E assim a estátua

Com direito a bela fonte,

Jardim florido,

E cantos sortidos,

Passou a ser a musa do lugar.

 

E a receber as moças solteiras com seus suspiros

Para aconselhar.

E as casadas com seus sussurros

A agradecer.

 

Passado o tempo

E o lugar a tradição continuar

Foi batizado pelo povo

A noiva da colina.

 

Então querida moça

Se quiser casar

Visite A noiva da Colina

Para um bom marido encontrar.

 

E você, querido moço,

Se também boa moça quer encontrar

Vá também a A noiva da Colina

Para que ela possa te aconselhar.

 

E depois desta visita

Não deixem ambos de fazer

Aquele belo passeio pelo rio

Para o sonho do casamento acontecer.

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Neste Momento, Por Que Escrevo?

 

Neste momento escrevo

Para arrancar do meu peito

A dor que dilacera

Meu coração.

 

Não sei de onde veio

E nem para quê.

Sei que é tão forte

Que chega a doer.

 

Mas que dor,

Se dor nenhuma sinto?

Também não sei,

Sou como você.

 

Só sei que sinto…

Só sei que dói…

Só sei que…

Só sei…

Só…

O Que Move a Sociedade?

 

Não sabemos o que é verdadeiramente o amor

Até nos depararmos com ele.

O amor é um processo químico:

Não há como voltar, retroceder, resgatar.

Depois que amamos, nunca mais somos os mesmos.

Eu amo. Tu amas. Ele nem sempre ama.

E o pior de tudo (ou melhor?)

É que não há ser humano que não queira amar.

É o amor que move a sociedade.

De que adianta viver sem objetivos?

Ter objetivos é um remédio para a vida.

Ter alguém lhe esperando em casa

Faz você regressar, sempre.

Desencontro

Já não sei o que sou neste mundo cão.

Onde está a efervescência da juventude?

O encanto do período enamorado?

Doçura, meiguice, inocência…

Tudo jaz na puberdade.

Ser adulto é ser irrevogável.

Tal qual decreto nas mãos do inquisidor.

Na velhice tudo retorna.

Não mais natural.

Meio que num tom de bobagem.

Ah! A vida é muito engraçada.

No auge do vigor, imaturidade.

No auge da vida, insensatez.

No auge da maturidade, cansaço.

Depois, nem um nem outro!

Demência.

Ciclo

Feliz daquele que completa o ciclo.

Ciclo vital.

Ciclo da vida.

Ciclo à morte.

O homem nasce, cresce, reproduz e morre.

Não nasce só.

A vida está para apresentá-lo.

Não cresce só.

A mãe está a acompanhá-lo.

Não reproduz só.

A esposa está a acompanhá-lo.

Não morre só.

A morte está para levá-lo.

Mulheres!

Nomes femininos.

Coisas vãs.

É na sabedoria da vida que jaz o homem.

O homem nasce, cresce, reproduz e morre.

Parece não saber de fato o que acontece.

Luta!

Ama!

Engana!

Maltrata!

Abençoa!

Por que, meu Deus,

Não percebe o homem

Que a ti não engana?

Deus

Deus, Pai Eterno!

Criador do nada,

Criador do tudo.

No meio termo estou eu:

Homem que não é nada,

Homem que não é tudo.

Amo-te!

Preciso de ti!

Tu és criador.

E como criatura,

Preciso de ti!

Quisera eu dos anos que vivi,

Ter, desde o primeiro,

De ti lembrança.

Minha vida nada mais é

Do que uma eterna busca!

Findada estará quando, face a face, te encontrar!

O Mar a Janela

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e perguntava:

– Que é aquilo?

A ele respondiam:

– É o mar.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e dizia:

– O mar é tão lindo.

A ele diziam:

– É… É lindo.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e pedia:

– Deixa descer pra olhar o mar?

A ele respondiam:

– Não. Não pode.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e perguntava:

– Posso ir pegar no mar?

A ele respondiam:

– Não. Nem pensar.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e questionava:

– Por que não posso ir tomar banho no mar?

– Não. É perigoso.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e definhava.

E definhava…

E definhava…

E definhava…

A janela continua lá.

O apartamento continua lá.

O mar continua lá.

Mas… E Joãozinho, cadê?

Joãozinho?

Joãozinho jaz.

Jaz sem ter sentido o mar.

Jaz sem ter pegado no mar.

Jaz sem ter tomado banho no mar.

Mas uma coisa Joãozinho fez.

Alguém disse.

Disto ninguém pode reclamar.

Continuou dizendo.

Olhou bastante para o mar

Da janela de seu apartamento.