SOBRE MINHA TRISTEZA INTERIOR

Sabe que há dias em que não sabemos o motivo de tanta tristeza? Tudo está bem! Não estamos doentes, nem os parentes, amigos ok, vida também, trabalho leve, estudo normal. Enfim, nada aparente, nada condizente com o estado de espírito que apresentamos. E cadê a alegria? A euforia? O apetite não rola! A vontade não chega! A coisa não anda! É mesmo muito ruim. E inexplicável! Cada grupo puxará brasa para sua sardinha. Os religiosos terão suas explicações. Os naturalistas da mesma forma. E assim ateus, zens, dispersos, anexos, categorias, jovens, adultos, idosos, empregados, desocupados, todos terão um motivo, ou não, para isto. Mas vem cá, na individualidade nossa de cada dia, sempre ficamos a nos perguntar o por quê, né? Nunca aceitamos esta ou aquela explicação ou falta dela. Mesmo que tenhamos lido toda a bíblia, saibamos até passagens de cor, livros espíritas, ou de outra ordem, ensaios científicos, artigos ateístas ou filosóficos. Apelamos até para a psicologia, teologia, pedagogia, ou outra gia que seja. E nada! Volta e meia bate aquela tristeza que médico nenhum cura. Nem vontade de ir lá consultar dá. Eu estou assim agora. Triste! Nem pergunte o motivo. Acabei de dizer tanto que não sabemos, pois também não sei. Somos tão iguais! Tão diferentes! Tão singulares! Tão comuns! Humanos! Não é interessante que vivamos cada um a sua vida, dentro de um contexto, numa família X, no entanto vivamos tão semelhantemente, sintamos tão o que o outro sente, vivemos tão o que o outro vive. Amamos, somos amados ou não, traímos, somos traídos ou não, temos momentos de efusiva alegria, outros de eterna melancolia. Podemos sentar ao lado de um estranho e numa conversa vermos o quão idênticos somos, mas também o quanto distintos. Mistério! Eu acho assim muito interessante tudo isto! E me leva a pensar, pensar, pensar… Pensar muito! Sentir muito! Ficar triste também! Mas deixa lá eu curtir minha tristeza. Ela vai passar! Com certeza, e também voltará outro dia. É assim a vida, um dia atrás do outro. Tão diferentes e tão iguais!

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A Noiva da Colina

 

Uma bela moça

Estava no rio a passear

Veio um rapaz

E a pediu para desposar.

 

A moça logo aceitou

E na colina foi morar

Muito feliz estava

Por com o tal casar.

 

Labutando pela vida

A jovem moça estava

E lá na colina

Muitas outras a visitava.

 

Menina, me conta

Como casaste assim

Quero também

Um marido para mim.

 

A moça contava

Como tudo acontecera

Não fora nada demais

Somente um passeio no rio sucedera.

 

Pois as moças todas do lugar

Loucas para casar

Foram o mesmo fazer

E no rio estavam sempre a passear.

 

Foi assim que o passeio no rio

Era o ponto preferido das moças

Que vez por outra

Ora, vejam só,

Um rapaz para casar encontravam.

 

Não demorou também

Para os rapazes saberem

Que moça de todo tipo havia

Lá no rio disponíveis.

 

Logo, logo

Mais moças casavam

Deste passeio ao rio fazer

Pois os rapazes também iam lá

E faziam o casamento acontecer.

 

Não passou muito tempo

E mais moças

De outros lugares

A fama do rio conheceram.

 

E haja moças de várias origens

No rio passear

Para um bom casamento

Poder encontrar.

 

Rapazes de outros lugares também

Viajavam para o lugar

A fim de encontrar

Boa moça para casar.

 

E quem mais feliz com isto ficava

Era a família

Tanto da moça, quanto do rapaz

Por casar o filho ou a filha.

 

E como uma coisa puxa outra

Começaram as moças

Além de conselhos pedirem

Também agradecer à primeira

Que fora ali.

 

E assim enchia a casa

De moças solteiras e casadas

Daquela primeira moça

Que do rio se beneficiara.

 

O marido vendo aquilo tudo

Pois sossego não havia

Acabou por se mudar

Levando a esposa querida

Para outro lugar.

 

Mas o povo não se deixar rogar

E logo para celebrar

Uma estátua elegeram

Para a fantasia continuar.

 

E assim a estátua

Com direito a bela fonte,

Jardim florido,

E cantos sortidos,

Passou a ser a musa do lugar.

 

E a receber as moças solteiras com seus suspiros

Para aconselhar.

E as casadas com seus sussurros

A agradecer.

 

Passado o tempo

E o lugar a tradição continuar

Foi batizado pelo povo

A noiva da colina.

 

Então querida moça

Se quiser casar

Visite A noiva da Colina

Para um bom marido encontrar.

 

E você, querido moço,

Se também boa moça quer encontrar

Vá também a A noiva da Colina

Para que ela possa te aconselhar.

 

E depois desta visita

Não deixem ambos de fazer

Aquele belo passeio pelo rio

Para o sonho do casamento acontecer.

A Arte de Ser Feliz

 

Ser feliz é algo tão complexo e tão simples! Somos felizes a cada manifestação de alegria no outro, quando realizamos algo muito desejado e quando fazemos alguém feliz. Não precisa ser algo inusitado, caro, ou pode ser também tudo isto e muito mais. A alegria está mais no receber do que a coisa propriamente dita. Seu estado de espírito é que vai definir o título de felicidade a seu ser e não a coisa recebida. Ser feliz também pode ser considerada uma decisão: serei feliz. Enfrentarei as dificuldades com um sorriso largo no rosto, mas seguirei, sem pestanejar, com a certeza de algo bom. O simples é simples mesmo. Sem maiores delongas. O complexo é o ser, que não se contenta, que quer mais, que insiste em não ser feliz, mesmo tendo tudo, ou nada. Novamente, o foco não é o ter, mas o ser. E aí, que decides?

O Passaro

Um dia eu vi um pássaro

em minha janela.

Ele pousou.

Pousou bonito.

Pousou rasteiro.

Pousou maneiro.

Pousou e olhou.

Olhou para mim.

Horas a fio olhou.

Depois voou.

No dia seguinte

Como que chamada

estava eu à janela

e ele pousou

pousou e olhou-me

horas a fio e voou.

Pássaro, pássaro

que fazes à minha janela,

todos os dias

a olhar-me?

Mas assim foi.

Todos os dias.

Eu e o pássaro.

Um dia estava na janela

e o pássaro pousou.

Pousou e voou

em minha direção.

Bicou meu coração,

levou um pedacinho dele.

Nunca mais voltou

com o pedacinho do meu coração.

Hoje meu coração chora

lamenta o pedaço

que se foi.

Pássaro, passarinho

Traz de volta o pedacinho

do coração

que levaste.

Ou então se não queres devolver

vem aqui fazer-me companhia

pois já não sei

e nem meu coração sabe

se a saudade é tua

ou do pedacinho do coração que levaste.

Que dor

 

Mas que dor é esta que sinto no peito?

Não há doença

Não há mal estar

Não há mal físico

Mas lá ela está.

 

Dói.

Eu sinto.

 

Será o médico que errou?

Não disse que doença tinha.

 

Dói.

Eu sinto.

 

Talvez o pássaro

comeu um pouco do meu coração

e sentindo a falta do pedaço

reclama com a dor.

 

Dói.

Eu sinto.