Neste Momento, Por Que Escrevo?

 

Neste momento escrevo

Para arrancar do meu peito

A dor que dilacera

Meu coração.

 

Não sei de onde veio

E nem para quê.

Sei que é tão forte

Que chega a doer.

 

Mas que dor,

Se dor nenhuma sinto?

Também não sei,

Sou como você.

 

Só sei que sinto…

Só sei que dói…

Só sei que…

Só sei…

Só…

O Que Move a Sociedade?

 

Não sabemos o que é verdadeiramente o amor

Até nos depararmos com ele.

O amor é um processo químico:

Não há como voltar, retroceder, resgatar.

Depois que amamos, nunca mais somos os mesmos.

Eu amo. Tu amas. Ele nem sempre ama.

E o pior de tudo (ou melhor?)

É que não há ser humano que não queira amar.

É o amor que move a sociedade.

De que adianta viver sem objetivos?

Ter objetivos é um remédio para a vida.

Ter alguém lhe esperando em casa

Faz você regressar, sempre.

Desencontro

Já não sei o que sou neste mundo cão.

Onde está a efervescência da juventude?

O encanto do período enamorado?

Doçura, meiguice, inocência…

Tudo jaz na puberdade.

Ser adulto é ser irrevogável.

Tal qual decreto nas mãos do inquisidor.

Na velhice tudo retorna.

Não mais natural.

Meio que num tom de bobagem.

Ah! A vida é muito engraçada.

No auge do vigor, imaturidade.

No auge da vida, insensatez.

No auge da maturidade, cansaço.

Depois, nem um nem outro!

Demência.

Ciclo

Feliz daquele que completa o ciclo.

Ciclo vital.

Ciclo da vida.

Ciclo à morte.

O homem nasce, cresce, reproduz e morre.

Não nasce só.

A vida está para apresentá-lo.

Não cresce só.

A mãe está a acompanhá-lo.

Não reproduz só.

A esposa está a acompanhá-lo.

Não morre só.

A morte está para levá-lo.

Mulheres!

Nomes femininos.

Coisas vãs.

É na sabedoria da vida que jaz o homem.

O homem nasce, cresce, reproduz e morre.

Parece não saber de fato o que acontece.

Luta!

Ama!

Engana!

Maltrata!

Abençoa!

Por que, meu Deus,

Não percebe o homem

Que a ti não engana?

Deus

Deus, Pai Eterno!

Criador do nada,

Criador do tudo.

No meio termo estou eu:

Homem que não é nada,

Homem que não é tudo.

Amo-te!

Preciso de ti!

Tu és criador.

E como criatura,

Preciso de ti!

Quisera eu dos anos que vivi,

Ter, desde o primeiro,

De ti lembrança.

Minha vida nada mais é

Do que uma eterna busca!

Findada estará quando, face a face, te encontrar!

O Mar a Janela

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e perguntava:

– Que é aquilo?

A ele respondiam:

– É o mar.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e dizia:

– O mar é tão lindo.

A ele diziam:

– É… É lindo.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e pedia:

– Deixa descer pra olhar o mar?

A ele respondiam:

– Não. Não pode.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e perguntava:

– Posso ir pegar no mar?

A ele respondiam:

– Não. Nem pensar.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e questionava:

– Por que não posso ir tomar banho no mar?

– Não. É perigoso.

Da janela do apartamento

Joãozinho olhava o mar.

Olhava o mar e definhava.

E definhava…

E definhava…

E definhava…

A janela continua lá.

O apartamento continua lá.

O mar continua lá.

Mas… E Joãozinho, cadê?

Joãozinho?

Joãozinho jaz.

Jaz sem ter sentido o mar.

Jaz sem ter pegado no mar.

Jaz sem ter tomado banho no mar.

Mas uma coisa Joãozinho fez.

Alguém disse.

Disto ninguém pode reclamar.

Continuou dizendo.

Olhou bastante para o mar

Da janela de seu apartamento.

Caneta na mao, versos no coracao

O poeta vive do escrever.

Escreve o que vive,

Escreve o que observa,

Escreve o que imagina.

A tudo quer transformar em poema.

O início e o fim.

A alegria e a tristeza.

O amor e o ódio.

A dor e a felicidade.

A rima e a falta dela.

Sem rima, com rima,

Cem poemas determina.

O nascer e o morrer

Em seus versos presentes

Transforma o leitor

Cúmplices ausentes.

Relação de amor universal,

Seja qual língua for,

Poeta e poema,

Eterno amor.

Trabalho sem igual

Dedicação total

A caneta está na mão,

E os versos, no coração.

A caneta na mão do poeta

É ser que desenrola.

Os versos do coração,

Arrola.

Os versos no coração do poeta

Descreve sua alma ímpar.

O que muito imagina

No papel aparece.

Versos e estrofes

Poesia e tema

Tudo junto e misturado

Para formar o poema.

Eu não sei o que dizer

Para você entender

Que a vida do poeta

O poema passa a ser.

E feliz a escrever,

Ele não deixa faltar,

Encanto e energia,

Para sua poesia mostrar.