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AS FLORES QUE ME CERCAM

Já paraste para observar a beleza das flores que nos cercam? E não só delas, de tantas outras coisas. O mar, as árvores, os pássaros, as paisagens, a natureza em geral. Passamos por elas, nem as vemos, tanta beleza a olho nu imperceptível aos olhos que podem ver. Um cego de nascença poderia dizer dar tudo para ver o que não vemos, uma pessoa que perdeu a visão poderia falar o quanto sente falta de ver isto ou aquilo, a beleza que nos é apresentada diariamente e nem aí estamos para ela. Vez por outra, espantados, dizemos, que belo! Quando paramos para ver, nos espantamos mesmo, com muitas coisas. Engraçado é ver aquele prédio enorme no lugar que todos os dias passamos mas que não percebemos como foi feito, nem quando. Difícil é chegar para dar uma ordem ao filho que não mais a ouvirá. Cresceu! E você nem notou! Já não será por aí o caminho. Outras estratégias serão usadas, e aprendê-las uma necessidade. As flores que me cercam também me encantam. Rara beleza, tão frágeis, tão lindas, tão coloridas, tão bem fazem aos olhos, ao espírito. Um passeio a um jardim, parque, onde for, que por lá estejam flores espalhadas, faz-nos retornar diferentes, mais leves, mais conscientes de si, mais vivos. Mas isto se nos permitirmos realmente ver, sentir, viver o momento. Passar simplesmente como passamos todos os dias por tudo, como vivemos as 24 horas do dia, não vale! Não vês que se pensares muitas vezes o que fizeste ontem, antes de ontem, ou mesmo hoje, nada reténs? Não sabes responder. Nem imaginas! Não lembras! Uma cena realmente vivida por um minuto que seja, eterniza na alma. Pensa! Lembra agora de algo raro, singular, ímpar, que nem muito tempo foi, mas que tu retiveste como uma bolinha de gude muito querida que seguras em tua mão fechada. Não queres largar! Não soltas de jeito nenhum. Não a vendes por dinheiro nenhum. E, no caso da bila até poderia, mas uma lembrança, esta, nada feito! Impossível de negociar. Se está, está! Mas também se perdeste a oportunidade de vivê-la, não volta mais. Só outra agora! Mas por mais que saibamos de tudo isto, que leiamos textos e mais textos sobre este mesmo assunto, dizendo estas mesmas coisas, não aprendemos. Continuamos a deixar o tempo passar, a não viver, a soltar pelos dedos com a água que escorre por eles, o tempo, as oportunidades, a vida. E um dia tudo isto vai doer. Um dia assim, como este, de reflexão, de melancolia, vai doer, e muito! Lembrar do amor que deixamos passar, mas que de verdade nunca passou, que insiste no peito, vai doer. Lembrar das inúmeras vezes que o filho veio morto de feliz brincar, sorrir, cantar, mostrar algo e deixamos, gritamos, nos escondemos de viver aquele momento com ele, para sabe-se lá fazer o quê. Nem lembramos. Sabemos apenas que não fizemos o que realmente importava naquele momento. Se não fosse, lembraríamos o que foi feito no lugar daquela atitude requerida pelo filho que amamos, mas que também negligenciamos. Ah! Tanto o que dizer e não foi dito! Tanto o que fazer e não foi feito! Tanto o que sentir e não foi sentido! Ontem eu estava no hospital. Sentia o corpo dolorido e esperava fazer um exame. Sentada na recepção vi uma maca passando, nela uma senhora já bem idosa. Veio-me à mente: “Seja lá o que tenha vivido, se amou, se transou, se traiu, se foi traída, se casou, se teve filhos, se ficou virgem, se teve aventuras, se ficou pacata, na sua, ou se fofocou, se atrapalhou a vida de alguém, ou se foi uma Madre Teresa de Calcutá, já não importa mais. Já foi! Se viveu ou não viveu o tempo não esperou. Passou!” Se vivemos ou não vivemos, o tempo não espera. Passa! E só depois vemos como foi rápido, com nem nos damos conta de que já não há mais tempo. Viva ou não viva, o tempo correrá do mesmo jeito. Passará!

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About Francilangela

Sou Francilangela Clarindo, casada, mãe, temente a Deus. No mais, vou de acordo com o momento. Quando mais jovem imaginava que uma idéia era cristalizada. Assim, o que eu pensava deveria ser levado para minha vida toda. Hoje vejo que não é desta forma que as coisas acontecem. Posso tecer neste momento considerações sobre a minha pessoa que poderão ser alteradas por uma nova experiência. Amadurecer é maravilhoso no sentido de que você analisa certos aspectos tão claramente. O que era obscuro ou até totalmente despercebido passa a ter sentido. E não considero isto falta de personalidade, mas sim, a capacidade que o ser humano adquire de mudar de acordo com o que vai aprendendo. Mas, é claro, no que acredito, acredito mesmo, até que provem o contrário. Aliàs, que eu aceite o contrário porque também não é qualquer discurso que vai alterar um pensamento de forma repentina. Posso dizer agora que meus valores são Deus em primeiríssimo lugar, minha família, que amo muitíssimo e meus amigos, que adoçam minha vida. Sobre Deus quero dizer que ele me acompanha sempre. Tento fazer sempre o que lhe agrada, ou pelo menos não desagrade tanto. Sei que é difícil, mas tentar, eu tento. Muitas vezes não consigo. Minha língua difama, meu ser enraivece, meu corpo padece, mas acredito que a virtude está justamente em tentar fazer o que é correto e arrepender-se do que foi feito de errado. Mas um arrependimento que leve à conversão e não à autoflagelação ou eterno remoer de atitudes passadas. Se eu errei, errei, me arrependo, aprendo e procuro acertar na próxima. Mas, se não conseguir, volto a me arrepender, aprender e procurar acertar. É cíclico. Deus não nos quer escravos do passado e do erro. O importante é ter consciência de que não agimos bem e continuar vivendo da melhor forma possível. De outra forma podemos nos massacrar tanto que atentamos contra nossa vida nos amaldiçoando ou tendo pensamentos nocivos de nós mesmos, com depressão ou qualquer outro comportamento ou atitude que não leva a Deus, mas ao castigo que impomos a nós mesmos. Sobre a família digo que é o alicerce. Minha razão de viver. Meus pais, que me ensinaram e continuam comigo, meus irmãos, que partilham comigo essa herança familiar, meu marido, grande companheiro nas horas difíceis e meus filhos, cada um do seu jeito ilumina minha vida. Além destes, todos os outros, primos e primas, cunhados e cunhadas, tios e tias, avós e avôs, todos têm sua parcela em minha vida. E, por último, meus amigos, pessoas maravilhosas que caminham comigo em busca de viver e viver bem.

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